sábado, agosto 06, 2011

Continuação do evitável episódio anterior

Afinal quem me tinha dito sabia o que estava a dizer. A dita Avenida sempre se chamava "Padre António Morais da Fonseca". A placa, num pedestal bem mais modesto do que o da nova "Avenida Cidade de Newark" lá apareceu, envergonhada, de um dia para o outro (quinta-feira), mesmo em frente ao prédio construído pelo falecido João Resende.


Ninguém percebe onde começa e onde acaba a Avenida que tem o nome do homem que mais gente afirma ter sido o percursor de muita coisa que hoje existe na Murtosa.


Não me parece que tenha ficado grande Avenida, e cheira a uma enorme desconsideração ao anterior titular do arruamento. E ainda há quem pense que alguém ou alguma coisa pode ser perpetuada.


A nova Avenida ficou mal na fotografia desde o princípio, e cada vez que alguém tenta corrigir a asneira anterior, ainda faz uma borrada maior.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Novos nomes para renovadas ruas

Há quem diga que o arruamento que vai desde a rotunda do Quartel dos Bombeiros Voluntários da Murtosa até à rotunda da Estrada da Varela se chamava “Av. Padre António Morais da Fonseca".
Vindo essa afirmação de pessoas muitíssimo mais conhecedoras destes assuntos de toponímia municipal do que eu, fui levado a fazer a confirmação sobre essa realidade e o seu desaparecimento no sítio da Câmara Municipal da Murtosa, com a atribuição da designação “Avenida de Newark" que irá ter lugar na próxima sexta-feira.
Confesso que senti um bocado de dificuldade para descobrir nos mapas das freguesias a qual delas pertence o dito arruamento. Parece que não é de nenhuma e pode ser do Bunheiro, do Monte e da Murtosa ao mesmo tempo.
No mapa geral do Concelho também aparece como rua de ninguém, quiçá um prolongamento da Avenida do Emigrante que é o que me parece mais plausível.
E foi a este propósito que cheguei à conclusão que aquilo que em tempos se designou por Avenida do Emigrante “em geral” passará agora a chamar-se avenida do emigrante “em particular” porque só referencia o emigrante de Newark.
Diz-se normalmente que a Murtosa é terra de emigrantes. É verdade, e aquilo que foi, está infelizmente, a voltar a ser.
Mas custa-me a compreender que se personifique o emigrante como sendo “o de Newark”.
Haverá muitos, certamente, que fizeram a sua vida naquela cidade. Mas não haverá muitos mais que, sendo emigrantes, fizeram a sua vida em tantas outras cidades e noutros países que não os Estados Unidos?
O emigrante murtoseiro é da América, da Venezuela, do Canadá, do Brasil, da Alemanha, da França, da Suíça, de Espanha…e de tantos outros lugares. É emigrante do Mundo.
Avenida do Emigrante dá para todos. Avenida de Newark dá para alguns. E quando se quer agradar a alguns em vez de agradar a todos…
Bom, piorou-se a toponímia, mas pelo menos melhorou-se o arruamento, e a efeméride terá a história duns minutos.
A luz está acesa desde o princípio do mês, o que já não era sem tempo para as muitas pessoas que todas as noites já a usavam para as suas caminhadas há muito tempo.
E o que interessa de sobremaneira a quem cá vive é que as ruas tenham bom aspecto sejam cuidadas e que dê prazer passar por elas.

terça-feira, maio 10, 2011

Estamos lá quase

Falta menos de um mês para as eleições legislativas. A “Troika” já deixou o País com o programa do próximo governo todo escritinho. Não há que enganar! Quer dizer… eles (os candidatos) bem tentam, mas os professores têm exames marcados aos meninos de 3 em 3 meses. Sejam de que clubes forem têm de prestar provas ou acaba-se a massa! E como nessa altura já nos devem estar a exigir alguns 20% de juros para nos emprestarem alguma coisa fora do FMI/UE, o caso parece arrumado!

Mas com gente desta como a que nos governa, mesmo assim não é de fiar. Na verdade, já nem se pode dizer que o mal está em quem nos governa; o mal está na cabeça de quem os elege e, sobretudo, nos que os reelegem.


As sondagens invertem-se de dia para dia e o chefe da comandita que nos tem esfolado nos últimos 6 anos já olha para o candidato de pés de barro num ombro-a-ombro de imprevisível resultado.


Ao fim e ao cabo, pouco interessa se quem ganha é o Zé ou o Passos. Seja um ou seja outro, quem vai escolher o par do casamento é o Portas, esse eterno feirante cuja testa está cada vez mais ao léu! Esse sim, com os seus 11 ou 12% é que vai escolher o parceiro do tango. Por aí se vê que o Passos não é tolinho de todo. Se se juntasse antes das eleições ao Portas sempre havia alguns menos aconchegados á direita que se escapavam pró Bloco ou para o Partido da Terra. Assim, cada um às suas e no fim, somam-se as espingardas para ver quais somam os 116!


Tenho para mim que o povo, apear de já ter ouvido da boca dos 4 da oposição que com o Sócrates ninguém se junta (o homem parece que tem lepra), e apesar de ter consciência de que é preciso uma maioria para mandar nesta terra, acabará por dar a vitória ao Zé!


A malta gosta de levar pancada; do escabeche; da aldrabice; do chico-espertismo; do tele-ponto; do rendimento mínimo; do tgv para nunca lá sentar o traseiro; dos aeroportos que são inaugurados por um aviãozito de cabo Verde que andava prá aí a pedir se o deixavam aterrar em qualquer lado sem pagar; a malta adora, diz que não mas gosta!


Para quê arriscar ter de trabalhar a sério para pagar as contas à Troika se isto com meia dúzia de passes de mágica se resolve?


Então o Zé não diz que o PEC4 chegava e só por causa do outro rapaz querer subir ao poleiro é que o FMI cá veio?
Ele era capaz de resolver tudo sozinho…mais PEC menos PEC. Agora com 78 mil milhões o que é que ele não será capaz de fazer!!!!
Só Universidades a dar cursos rápidos aos domingos para o pessoal das Novas Oportunidades, vão ser 20!


Quando os troikanos cá chegarem depois das férias grandes para fazerem os exames vão encontrar mais 100.000 novos doutores…desempregados.


Até breve!

sábado, abril 02, 2011

Às armas, às armas!

De dia para dia o céu que cobre Portugal está mais cinzento. Deve ser da Prinavera. Os malditos mercados, liderados por esses fulanos que ninguém conhece mas que têm o poder de reduzir uma Nação a cinzas, dão conta de nós. Mais dia menos dia vamos acordar apelidados de "junk". Já não chegava sermos "PIGS". Como se costuma dizer agora, o "nobre povo nação valente e imortal" pôs-se a jeito e já se sabe que estes rapazes não perdoam.

Ainda bem que as manas (Fitch, Moody's e S&P) não trabalham ao fim-de-semana, senão amanhã já ninguém podia com o nosso cheiro.

Diz o Sócrates que o culpado é o Passos Coelho. Se não fosse esse senhor isto estava para durar e não era preciso o FEEF e o FMI emprestarem a maçaroca porque havia sempre quem nos quisesse sugar o tutano a 8, 9, 10 ou mais % para encher os bolsos dos fundos de pensões alemães e ingleses que os velhotes precisam depois de vir para cá jogar golfe em vez de andar a apanhar frio e neve na terra deles.

Também não percebo o que é essa gente da oposição ao Sócrates quer : então se a economia continua a crescer negativamente e pagamos juros cada vez mais altos não se vê logo que a dívida mais ano menos ano está paga? Há gente que não sei o que é andou a fazer na escola para não perceber isto!

A solução do Zé é simples : no PEC35 mantinha-se a malta toda empregada ou reformada e a pagar 50% de IRS e 30 % para a segurança Social. Com os 20% que sobravam, toda a gente era obrigada a comprar títulos da dívida pública com maturidade a 10 anos. Ficavam dispensados destas benesses : o Vara, o Costa, o Rendeiro, o Godinho, o Loureiro, e mais duas ou três centenas de bons rapazes (sem esquecer aquela rapariga da Fundação de Guimarães) que não merecem castigo. Os funcionários públicos eram decapitados aos 65 anos para não terem de gastar as reformas. E veio o Passos Coelho que não está preparado para governar o barco alterar isto tudo!?


Às armas, às armas! Sobre a terra, sobre o mar; Às armas, às armas! Pela patria lutar! Contra os Ladrões marchar, marchar!

quinta-feira, maio 27, 2010

segunda-feira, setembro 28, 2009

Moliceiros - obrigatório intervir

Em Junho passado tive oportunidade de passar uns dias em Veneza. Apesar da beleza e da luz inigualáveis desta cidade que daria só por si para escrever muitos post's, o assunto que aqui me trás é o da importância que os residentes e os milhões de estrangeiros que ali passam todos os anos dão às “gôndolas” e aos “gondolieri” e a aplicação que isso poderia ter aos moliceiros e seus tripulantes.

A gôndola é uma embarcação típica da Lagoa de Veneza (Itália). Pelas suas características de manobrabilidade e velocidade, foi, até à chegada dos meios motorizados, a embarcação veneziana mais adaptada ao transporte de pessoas. Actualmente é usada sobretudo para passeios turísticos.
Segundo pude apurar, existem actualmente cerca de 400 gondoleiros encartados e autorizados em Veneza, tendo recentemente surgido a primeira gondoleira mulher 'certificada' de seu nome Giorgia Boscolo. Para que um gondoleiro possa tripular sozinho a sua gôndola são precisas mais de 300 horas de treino.
Os barcos de fundo achatado são movidos por um remador que fica sempre de pé.
A taxa oficial para um passeio de 40 minutos é de 80 €, podendo subir um pouco mais ao fim da tarde.
De acordo com os dados disponíveis mais recentes, um gondoleiro declara ganhar cerca de 16.000 € por ano e uma gôndola pode custar entre 20.000 € e 50.000 €.
Os gondoleiros estão autorizados pela lei italiana a não passar recibo aos passageiros (virá daí a declaração de tão baixos rendimentos ?!!).
Face aos valores declarados pelos gondoleiros, a actividade é altamente deficitária e tem, por isso, de ser subsidiada pelo Município que transfere para esta actividade cerca de 1.000.000 € por ano.
A actividade das gôndolas em Veneza gera algumas centenas de postos de trabalho transversais que vão desde a construção e reparação naval, ao turismo e à restauração.


Bom, mas perguntar-se-á em que medida é que esta referência às gôndolas pode interessar à Murtosa?


Em primeiro lugar a similitude entre o aparecimento e a utilização que estiveram na origem quer da gôndola quer do moliceiro : ambas as embarcações destinavam-se a actividades profissionais das populações locais.
Seguidamente, o facto do uso que era dado inicialmente à gôndola e ao barco moliceiro ter caído em desuso por razões económicas e por terem surgido alternativas mais baratas às funções que aquelas embarcações exigiam.
Por último, o facto de ambas serem ex-libris das regiões de onde são originárias.

Uma diferença fundamental que ressalta da comparação das duas embarcações é o facto da gôndola continuar a ser utilizada no dia a dia veneziano e ser conhecida no mundo inteiro, e o moliceiro ter entrado numa lenta agonia que o poderá levar ao desaparecimento total dentro de alguns anos com o fim quer dos últimos construtores quer dos últimos homens capazes de navegar nos moliceiros.

Para perservar o moliceiro, e salvá-lo do desaparecimento total, é necessário que se conjuguem três factores : em primeiro lugar dar-lhe uso, em segundo lugar incentivar a sua construção alargada, e por último ensinar os jovens a saber tripulá-lo com destreza.
Como incentivo ao seu uso, vejo para já duas vias : o turismo e o lazer.

No turismo, é preciso que os moliceiros enverguem de novo as velas e não se continuem a transformar em embarcações (aberrações) descaraterizadas a motor, sem mastro, e que só têm aquele nome por causa dos painéis. Para isso é preciso que os tripulantes saibam navegar à vela, sendo o motor apenas um auxiliar de utilização excepcional.
Para aprender a navegar à vela, é preciso criar um centro de aprendizagem. A ANT será provavelmente o pólo existente que mais rapidamente poderá dar resposta a esta necessidade, podendo servir de base de apoio. Cada embarcação à vela tem particularidades próprias mas há uma raiz comum que tanto serve para umas embarcações como para outras.
Logicamente que aqueles que hoje ensinam os outros a navegar mais rapidamente conseguirão apreender as lições e técnicas dos actuais mestres dos moliceiros, integrando-os até nas actividades da Associação.
Para que haja escola de aprendizagem é necessário que exista a primeira embarcação : o primeiro exemplar de moliceiro destinado à formação deve ser a embarcação propriedade da Câmara Municipal que se tornará muito mais útil ao interesse comum.
A contratualização entre a Câmara Municipal e a ANT pode ser a chave para que o moliceiro volte a florescer na Ria. Mas sem exclusividade, claro. Se uma outra Associação existente ou a criar mostrar interesse, tudo se deverá resumir a um contrato escrito com regras claras.

Não poderá haver dúvidas quanto ao facto da Câmara Municipal ter aqui um papel chave e determinante para a sobrevivência do moliceiro (basta pensar nas gôndolas para compreender que a actividade terá de ser fortemente subsidiada).
Se o incentivo for determinado mais pessoas surgirão interessadas em aprender a navegar nos nossos moliceiros e o ressurgimento dos barcos será uma realidade.
Recordo por exemplo que o Sharpie 12, muito querido na nossa Ria, deu lugar este ano à realização do Campeonato da Europa na Costa Nova, e tudo isto porque há pessoas que querem e gostam de navegar naquele tipo de embarcação.
O lazer acaba por surgir por acréscimo mas claro está que tem de ser à vela. Quando vejo os moliceiros a circular nos canais de Aveiro, a motor, sem mastro, com o leme levantado e a bica arreada, dá-me vontade de perguntar se é aquilo que as entidades locais querem que os turistas digam lá fora que é um barco moliceiro.
Mas não tenhamos qualquer tipo de ilusões : perservar o barco moliceiro dificilmante será alguma vez uma actividade lucrativa e autónoma. Terá de ser sempre uma actividade subsidiada pelo interesse local, e o subsídio que cada moliceiro receberá será em função do numa de horas de navegação à vela que faça na Ria.
A construção naval do moliceiro já teve um primeiro passo dado pela Câmara Municipal, mas não tenho dúvidas que um ou mais estaleiros têm de estar debaixo da alçada da gestão privada para darem um resultado eficaz.
À autarquia deverá ficar reservado o papel de subsidiar os barcos mediantes contrapartidas consideradas interessantes para que os seus actuais e os futuros proprietários não esmoreçam, e perservar museologicamente a história da embarcação e dos usos e costumes.
Que não haja "medo" de tomar uma atitude determinada com "receio" que alguém enriqueça à custa dos moliceiros. Dificilmente isso acontecerá!
Há que idealizar outros tipos de regatas para além daquelas que actualmente se realizam e que não garantem uma cadência de eventos razoável.
E já agora, com o projecto em marcha da Murtosa ciclável, porque não recriar uma carreira aos fins-de-semana para transportes de pessoas com bicicleta entre a Béstida e a Torreira? Seria excelente para quem acha demasiado dar a volta toda por estrada e quisesse apenas fazer meio percurso (por exemplo à volta) e, ao mesmo tempo, dinamizava as duas vertentes.
Fica aqui a sugestão, esperando-se que o post possa gerar outras ideias à volta do tema que tornarão a proposta bem mais rechada de interesse.

domingo, setembro 27, 2009

Contributos e opiniões

Depois de um interregno de quase 2 anos, achei por bem apresentar algumas sugestões sobre aspectos do dia a dia da Murtosa que poderiam ser melhorados e que, eventualmente, podem levar a pensar aqueles que se candidatam aos órgãos autárquicos e que depois do dia 11 de Outubro serão responsáveis pelos destinos do Concelho durante os próximos 4 anos.
Estes contributos não pretendem ser mais do que meras opiniões de um cidadão simplesmente interessado pelo progresso e bem estar da terra onde vive e que deseja ver a Murtosa, cada vez mais, como um local ordenado, aprazível, acolhedor, amigo do ambiente e moderno.
Tenciono falar dos assuntos pela positiva, ainda que o ponto de vista apresentado possa divergir das orientações dadas por quem tem de decidir.
Não me suscita qualquer interesse falar das coisas com o objectivo de “bota-abaixo”.
Sei, pela experiência, que é muito mais difícil fazer coisas do que dar opiniões ou dizer mal do que já foi feito.
Tenho consciência de que ninguém é dono absoluto do conhecimento e da verdade e que a contribuição de várias opiniões pode abrir novos caminhos que de outra forma se perderiam ou nunca seriam encontrados.
Desta diversidade de opiniões e conceitos poderão surgir ideias dos leitores que desde já espero que aqui encontrem um espaço interessante para se poderem exprimir livremente, trazendo novas experiências já observadas noutros locais e que se afiguraram positivas para o bem estar das populações em geral.
Das viagens que faço, daquilo que observo e fotografo, das conversas com amigos que se deslocam por esse mundo fora e que vão observando outras formas de melhorar a vida das pessoas, procurarei trazer aqui alguns exemplos do que de bem me parece que outros já fizeram e que pode tornar útil para os que cá vivem.

segunda-feira, novembro 05, 2007

segunda-feira, outubro 29, 2007

domingo, outubro 28, 2007

sábado, outubro 27, 2007

sexta-feira, outubro 26, 2007

quinta-feira, outubro 25, 2007

quarta-feira, outubro 24, 2007

terça-feira, outubro 23, 2007

segunda-feira, outubro 22, 2007

terça-feira, junho 05, 2007

quinta-feira, maio 24, 2007

A Barca do Inferno

Um parvo é um indivíduo que revela falta de inteligência e de bom senso, cujo comportamento é considerado desagradável e irritante (Dic. Lig.Portuguesa da Porto Editora).
Mário Lino Soares Correia, o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico, como faz questão de frisar não sei se para achincalhar alguém, afirmou-se no elenco ministerial de Sócrates como o maior parvo de todos.
A concorrência é feroz, mas Lino bateu-a aos pontos com as afirmações de ontem na almoço da Ordem dos Economistas : “a margem sul é um deserto" e por isso seria "uma obra faraónica" fazer aí o futuro aeroporto de Lisboa; "Na margem sul não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio", disse o governante, acrescentando que, de acordo com um estudo recente, "seria necessário deslocar milhões de pessoas" para essa zona para justificar a construção do novo aeroporto" (só se fossem chineses! ou então naturais da Ota!)
Inspirado como sempre, e tentando superar tanta parvoíce junta, o ex-Presidente da Assembleia da República, Almeida Santos ainda tentou superar o colega de partido declarando : «Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o Norte do Sul do País» (brilhante! Se a Al-Qaeda o descobre ainda o leva para o deserto!)
Espero que Sócrates não deixe falar mais nenhum ministro, e que ele próprio finja que continua surdo, senão este festival de mau senso ainda vai dar mau resultado.
Já no teatro de Gil Vicente, o Parvo tem uma função cómica, causada pelos disparates que diz, convertendo-se numa espécie de comentador independente da acção, pondo à mostra, com os seus disparates, o ridículo das personagens, excluindo-se a si próprio e nunca sendo observado pelo interesse que em si mesmo possa oferecer. A sua função constante é a de, a coberto da irresponsabilidade, obter efeitos cómicos a partir de situações alheias a ele.
Mas Mário não é alheio a toda a trapalhada do novo aeroporto da Ota que quer construir à viva força. Muito menos se pode excluir duma opção que cada vez defende mais sozinho!
Se a atitude de Mário Lino não fosse trágica para Portugal, talvez até fosse cómica!
Só espero que não se lembre de me levantar um “processo disciplinar” por delito de opinião!

quarta-feira, maio 23, 2007

Temos equipa!

O 11 inicial para o jogo político da a Câmara Municipal de Lisboa está constituído desde esta tarde com a entrada de Carmona Rodrigues para a equipa dos candidatos.
Todos por Lisboa, claro está.
Todos para a salvar do demónio do despesismo, da corrupção, do clientelismo, e do imenso buraco financeiro onde a capital se tem afundado desde há mais de uma vintena de anos.
Como na grande maioria das autarquias, não custa nada distribuir o bodo aos pobres (entenda-se os “amigos” e “compadres”) à fartazana tanto mais que quem paga sempre a festança é o povo.
Telmo Correia, Ricardo Sá Fernandes, António Costa, Fernando Negrão, Helena Roseta, Carmona Rodrigues, Ruben de Carvalho, são os mais conhecidos da população.
Todos têm pelo menos um projecto para Lisboa, coisa que até hoje ninguém se tinha lembrado.
Como a capital estava mesmo a precisar, o bolo dos votos dos lisboetas vai ser repartido por muitos convivas, e mesmo aqueles que esperavam degustar uma das maiores porções, têm pela frente um brinde, ainda por cima “independente” que, como sabemos causa enormes indigestões ao pessoal de carreira.
Todos os que têm direito a tempo de antena são unânimes em eleger os idosos, o ambiente, e o urbanismo como bandeiras pessoais destas eleições. Nenhum quer ouvir falar de “boys”, de “empreiteiros”, de “especuladores imobiliários” nem de “partidos”!
A partir do dia seguinte ao acto eleitoral, o ataque de amnésia instala-se imediatamente no vencedor (ou na coligação dos mesmos).
Diz-se que Lisboa vai ter dentro de pouco mais de uma década cerca de 30% da população com mais de 65 anos. Então quem seria o candidato suficientemente tolo para não se mostrar muito preocupado com os velhinhos que não têm um tecto condigno, um médico de família, um centro de saúde a uma distância suficientemente perto para não morrer no caminho, uma reforma que lhe dê para comprar a medicação?
Agora vêem aí dois meses de baboseiras e de promessas que sempre ficarão por cumprir!
Será que ainda veremos o Costa a bramar com a lei das Finanças Locais? Talvez não. A cidade precisa muito de um(a) arquitecto(a) e tem essa oportunidade.
Saibam os Lisboetas dar o exemplo ao País de que a política não se esgota nos partidos.
Boa sorte Lisboa.

domingo, maio 06, 2007

Carmona Rodrigues definiu-se ele próprio como um corpo estranho no meio dos políticos que o querem expelir a todo o custo do seu seio, vendo-se livre do inoportuno embaraço de um homem na condição de arguido.
Marques Mendes, sentindo-se desde sempre investido do direito de julgar os membros do seu partido, veda-lhes o direito constitucional da presunção de inocência até ao trânsito em julgado da sentença de condenação estabelecido no art.º 32. da CRP.
O pequeno Mendes é o Golias da justiça.
Apenas com uma diferença : pedrada após pedrada (Valentim, Isaltino, e agora Carmona) em vez de o fazerem cair aumentam-lhe a esperança de se aguentar em palco até ao dia seguinte às próximas eleições legislativas.
Aliás, Mendes é a imagem na perfeição da hipocrisia portuguesa que se apressa a afirmar que até ser condenado o arguido é inocente, mas mal ouve classificar alguém com aquela condição decide pela condenação repentina e incondicional.
Se, por acaso, a justiça vier a considerar o arguido inocente, confirmando que as provas não foram suficientes para confirmar os fortes indícios de culpa, então o português, rapidamente responde a isso que a justiça acaba sempre por libertar os poderosos.
O que me incomoda vivamente não são aqueles que efectivamente usam das habilidades da justiça para fugir constantemente às suas responsabilidades, São as pessoas que não tendo praticado qualquer tipo de crime, assumem temporariamente a condição de arguido e, por causa dela, se vêm entrar num pesadelo que começa com a flagelação, continua na crucificação e acaba na descredibilização social.
Longe vão os tempos em que o “independente” serviu que nem uma luva aos interesses da estratégia do “político”.
Agora há que assoá-lo, escarrá-lo e deitá-lo ao lixo, ainda que a sua culpa não seja alguma.
Exemplos destes aparecem-nos à frente todos os dias. Os “independentes” são óptimos para engrossar as magras, incultas e interesseiras hostes da política, e fáceis de descartar quando já não interessam ou podem causar mossa.
Inocentes, idiotas ou aspirantes ao poder oferecem-se à imolação só dando conta da fraca figura que normalmente fazem quando reconhecem que não lhes foi dado qualquer poder de decisão ou capacidade de intervir mas apenas serviram de escudo de protecção aos que, por de trás, mexem nos cordelinhos e os controlam como marionetes até ao dia em que chega a hora de lhes cortarem os fios.